Somos um país continental, porém, no Brasil, a banda larga ainda é cara e não alcançou todo o território nacional. Conheça um pouco mais dessa realidade e saiba também o que vem por aí.
Mesmo com um crescente número de acessos devido ao barateamento dos computadores, algumas regiões do país ainda estão presas em uma espécie de “apartheid” que impede a conexão de milhares de brasileiros à internet.
Seja por motivos econômicos – afinal os preços de banda larga continuam salgados (e intragáveis em algumas localidades) -, seja por motivos de infraestrutura – pois alguns lugares simplesmente não têm nenhum tipo de cobertura banda larga -, o Brasil ainda tem muito que melhorar.
Seja por motivos econômicos – afinal os preços de banda larga continuam salgados (e intragáveis em algumas localidades) -, seja por motivos de infraestrutura – pois alguns lugares simplesmente não têm nenhum tipo de cobertura banda larga -, o Brasil ainda tem muito que melhorar.
A banda larga no Brasil hoje
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 35% da população brasileira teve acesso à internet no final de 2008. Transformando em números exatos, isso significa que 56 milhões de brasileiros utilizavam a rede mundial de computadores.
Em 2009, o Ibope apontou um crescimento de 8,2% e, ao todo, 67,5 milhões de brasileiros foram considerados digitalmente incluídos, acessando a web regularmente de casa, do trabalho, da escola, de lan houses ou de bibliotecas
Apesar do crescente número de "brazucas" conectados, que em 2005 eram cerca de 1 milhão de residências, nossa realidade ainda deixa muito a desejar. Contudo, previsões apontam que a conexão via banda larga deve chegar a um número maior de brasileiros ainda neste ano.
Tratando do número de assinaturas de internet banda larga, ou seja, número de residências que possuíam a conexão, no final de 2009 eram 10,2 milhões a uma taxa média de R$ 96 de acordo com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e o Comitê Gestor da Internet (CGI).
O caso da região Norte
Se há crescimento de acesso, logo deve haver aumenta da cobertura, certo? Mais ou menos. Se tomarmos como exemplo a região Norte do Brasil, verificamos uma realidade totalmente diferente das demais: de acordo com os deputados federais Marcelo Serafim (PSB-AM) e Janete Capiberibe (PSB-AP), dos 62 municípios do estado do Amazonas, apenas a capital Manaus tem cobertura completa de banda larga e celular.
Os parlamentares propuseram um debate pela maior atenção à região, na Câmara dos Deputados, na Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Regional. Do encontro, saiu a previsão de um representante do Ministério das Comunicações de que até o final de 2010, todos os municípios da região norte tenham cobertura para conexões banda larga.
Apesar de Manaus ser a única cidade completamente coberta por sinal de ADSL, o preço deixa muita gente fora da web. Isso porque uma conexão de 600 Kbps, maior velocidade disponível na região e oferecida pela operadora Oi, custa nada mais nada menos de que R$ 429,90, valor bem acima dos R$ 35 reais propostos pelo governo federal em seu plano de universalização da banda larga no Brasil.
Plano Nacional de Banda Larga
Levar internet de até 1 Mbps a preços acessíveis a 50% dos domicílios urbanos brasileiros até 2014: esse é o objetivo principal do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), um estudo elaborado pelo Ministério das Comunicações e entregue ao presidente Luís Inácio Lula da Silva no segundo semestre de 2009.
Com investimento girando em torno de R$ 75 bilhões, a ideia é usar redes de fibra ótica já existentes no Brasil e que não vêm sendo utilizadas, para criar redes móveis e expandir o acesso à rede mundial de computadores até localidades que ainda não possuem o acesso. O plano ainda está em fase de elaboração, pois muito se discute em torno de sua implementação.
O Plano não deixa de lado a internet móvel e pretende atingir, até 2014, 60 milhões de usuários pessoais. Outras metas do PNBL incluem internet banda larga para a totalidade de unidades da administração pública (federal, estadual ou municipal) e unidades de saúde, além de bibliotecas públicas e órgãos de segurança pública.
Para a zona rural, o PNBL projeta a implementação da banda larga em 15% dos domicílios, o que representa cerca de 1 milhão de pontos de acesso, bem como a implementação integral em unidades de saúde e escolas.
Banda larga econômica
Adiantando-se um pouco ao projeto do governo federal, a Telefônica, em parceria com o governo do Estado de São Paulo, oferece o serviço de banda larga com velocidade de 256 Kbps por R$ 29,80. Isso é possível pois o governo estadual isenta a empresa do ICMS, valor que corresponde a 25% do cobrado pela operadora.
É uma iniciativa louvável, porém, com um pouco mais de boa vontade isso poderia ser revisto. Claro que 256 Kbps é bem melhor do que os 56 Kbps de uma internet discada, contudo, ainda é muito baixo. Pelo valor cobrado, a empresa poderia oferecer uma velocidade maior, quem sabe de até 1 Mbps como versa o PNBL.
Classe C e a banda larga
Pesquisa do Programa de Estudos do Futuro da Fundação Instituto de Administração (Profuturo/FIA) aponta que, até 2020, metade da população que compõe a classe C terá acesso à internet. Desse montante de acessos, 60% será via conexão banda larga. De acordo com a mesma pesquisa, em 2008, apenas 7% do grupo tinha acesso a esse tipo de conexão.
As estimativas do Profuturo são de que, em dez anos, 99% da classe A esteja conectada na web via banda larga, valor também superior aos 64% de 2008. Para a classe B, a projeção indica um salto de 26% (2008) para 90%. Por fim, a classe D deve ascender de 1% para 25%.
A mesma pesquisa indica que quem mais sairá ganhando com a expansão serão as operadoras que oferecem serviço via cabo modem ou sem fio, que devem crescer 33%. Outro mercado em ascensão será o de conexão via rede WiMax, com 31%. Contudo, essencialmente no caso das classes C, D e E, o ADSL será a principal forma de conexão.
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